Sem citar Trump, Lula diz que mundo não pode “acordar e ir dormir” com um presidente declarando guerras
Dê de presenteO presidente Lula e o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez., (Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República)Ouça este conteúdo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou neste sábado (18), em Barcelona, que a ONU “não pode permanecer em silêncio” diante do que está acontecendo no mundo e propôs ao secretário-geral da entidade, António Guterres, que convoque “reuniões extraordinárias” para tentar restabelecer a paz.
"Os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento. Não podemos acordar todas as manhãs e ir dormir à noite sempre com uma mensagem de um presidente ameaçando o mundo, declarando guerras", declarou o presidente, segundo a agência EFE.
Lula defende regulação digital contra "intromissão de fora"Lula se queixa de que líderes mundiais ignoraram seu apeloAinda sem citar Trump, o presidente brasileiro declarou que um país não pode impor regras a outro. “Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de impor regras a outros países. Nenhum”.
Lula disse ainda que a ONU é valiosa, mas precisa haver uma discussão sobre seu funcionamento para que as relações entre países sejam aprimoradas.
“A ONU é um instrumento muito valioso se funcionar bem”, disse Lula em seu discurso de encerramento da IV Cúpula em Defesa da Democracia, realizada em Barcelona com a presença de líderes de todo o mundo.
“A ONU não pode ficar em silêncio e assistir ao que está acontecendo no mundo”, acrescentou o mandatário brasileiro, que ressaltou que estamos no momento da história com o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.
Além disso, Lula criticou o fato de os países que integram o Conselho de Segurança tomarem decisões “unilaterais” sem consultar a ONU e sem respeitar as Nações Unidas.
“Se não discutirmos isso, nada vai mudar. A tendência é que a situação piore”, analisou.
Em sua opinião, o extremismo e a falta de respeito pela Carta da ONU e pela harmonia entre os países “são muito perigosos”. Nesse contexto, Lula criticou o fato de o Conselho de Segurança da ONU não se reunir de fato, já que os membros titulares não comparecem, enviando embaixadores em seu lugar, e que, quando algo é aprovado, há um veto e a medida não segue adiante. O mandatário enfatizou que, há muitos anos, existe uma tentativa de reformar a ONU para que ela represente o mundo atual.
O presidente brasileiro também se mostrou muito preocupado com o que está acontecendo em Cuba e pediu com urgência o fim do bloqueio do fornecimento de petróleo para o país insular.
“É preciso acabar com esse bloqueio a Cuba e deixar que os cubanos vivam suas vidas. Não dá para ficarmos calados diante disso. Estou muito preocupado com Cuba. Cuba tem problemas, mas é um problema dos cubanos; não é do Lula, da Claudia (Sheinbaum, presidente do México) ou do (presidente dos EUA, Donald) Trump. É um problema do povo cubano”, argumentou.
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